
Sábado, 20:51. Frio, mas não muito. Está fresco, uma brisa gostosa, um ar gelado. Limpo. Meio irônico, comparado ao que se passa dentro de mim. Me sinto abafada, presa em coisas que devo esquecer. Assim como devo continuar vivendo. Levando. Mas isso tem um grau de dificuldade meio inesperado; na maioria das vezes sempre estive certa de tudo. Tudo bem, eram certezas falsas, mas faziam com que fosse mais fácil ir "levando". Quanta hipocrisia. Viver é uma hipocrisia. (...) Me dói também ficar aqui sentada, esperando que algum milagre digno de comoção humana (hipocrisia) aconteça. E não vai acontecer, claro, claro. Posso ouvir carros passando nas ruas. Posso imaginar as pessoas dentro deles, discutindo futilidades, julgando-se ocupadas e resitadas, tão importantes! (ironia) Ouço músicas distantes. Fecho os olhos, e posso me imaginar em lugares bons. Lugares alegres, com risadas, bebidas, ou outra merda(desculpe o termo) qualquer. Mas então me sinto suja novamente- eu poderia estar em qualquer lugar do mundo e ainda assim não deixaria de ser eu mesma. E isso estraga tudo.
MF.

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