sábado, 10 de abril de 2010




Eu já cansei. Cansei de você. Do seu não-importismo comigo, das suas mentiras. Cansei de chorar por você. Você me machucou, de um jeito que eu nunca pensei que fosse me machucar.

Você me fazia bem. Era meu motivo pra sorrir, minha certeza de todos os dias. Era meu porto seguro, em quem eu mais confiava. Meu namorado, meu melhor amigo. Você era tudo. Todos os dias que passamos juntos, nossa, não tem como descrever. Seu sorriso, seu olhar apaixonado, seus beijos e seu abraço apertado. Era tudo que eu mais precisava, e é tudo que eu preciso agora. Eu estava nas alturas, você me dava asas pra voar, pra ir cada vez mais alto, porque eu sabia que você estaria lá embaixo pra me segurar, se eu caísse. Mas você não estava. Você me derrubou e me deixou cair, suas palavras me feriram e me mataram por dentro. Foram dias sem sorrir, sem dar risada. Sem viver. Eu estava com uma ferida aberta, sangrando. Por você.

Ver você sem mim, apenas você, com seu jeito encantador, deixando apaixonada qualquer garota iludida, era como sentir uma faca enferrujada, entrando na minha ferida cada vez mais forte. Mas você estava bem. Você está bem. Você sorri, e nem liga pra mim. Aos poucos, eu fui aprendendo a viver sem você. Mas em mim ainda estavam as lembranças. O seu cheiro, sua voz, nossas conversas. Nós dois. Ouvindo as músicas que nos pertencia eu me sentia bem, mesmo derramando lágrimas. Eu precisava me machucar pra estar feliz. Eu precisava estar morrendo pra me sentir viva.

Mas quando você disse que queria voltar, e começar tudo de novo, nos dar outra chance? Meu Deus, eu me sentia como se alguém tivesse me ressuscitado. Meu coração voltou a bater, bater por você. Eu estava louca. Depositei em você toda minha felicidade, todo o meu amor. A minha dor estava esquecida, você a curara de vez. Eu achei que tudo ia ficar como era antes, era um sonho, não podia ser real!

E não era.

Mais uma vez, você me machucou. Abriu com um canivete meu machucado, agora mais profundo. Você mentiu pra mim. Eu não tinha mais vontade de acordar a cada manhã, nem queria ter pensamentos antes de dormir. Mas eu tinha e eles caminhavam direto pra você.

Eu queria entender o porque de você ter feito isso. E não conseguia.

Será que você não via que eu estava tentando seguir em frente?

Começou tudo de novo. Todo o processo de cura estava aberto novamente. Eu ia ter que me cicatrizar de novo. É o que eu estou fazendo. Mas a necessidade que eu sinto de ver você, de conversar com você e de amar você não é uma coisa que eu possa ignorar. Eu tenho apenas que conviver com ela, tentando esconder ao máximo.

Voltar pra você? Não, eu não vou.

Porque você não vai mudar. Esse seu jeito de me magoar vai continuar por muito tempo, eu sei. Você não muda. E eu te amo demais pra tentar mudar quem você é. Mas me amo o suficiente pra ficar com o que você é.

Ver você? Não me mata mais. Apenas dói, um pouco quando vejo você dizendo pra outra exatamente o mesmo que dizia pra mim. Eu ouço as pessoas dizerem seu nome e falarem sobre você e isso ainda me chama atenção, e me faz sorrir.

O tempo passa e eu percebo o que realmente você é. Demorou, mas eu vejo. O amor é cego, e eu estou voltando a enxergar. Seus defeitos? Eu sempre soube que eles existiam. Mas eu conseguia amá-los também, mas agora eles já não me parecem tão perfeitos assim.

As suas qualidades? Meu Deus, não tem fim! Eu amo seu cabelo, seu sorriso, seu cheiro, suas covinhas, seus dentes, sua risada, sua voz, seu jeito, suas mãos, seu abraço, sua timidez, seu beijo, seu olhar profundo. Eu amo você por completo.

Tudo isso só me faz imaginar como teriam sido os últimos 6 meses se você nunca tivesse existido. Talvez agora pareça uma boa idéia, mas olhando pra trás e lembrando de tudo, não consigo lembrar de tudo e não sorrir. Me dá vontade de viver tudo de novo, sabe? Talvez melhorando algumas coisas, consertando alguns erros. Dizendo coisas que não foram ditas, talvez.

Mas agora nada disso é possível. Não dá pra voltar no tempo. E fico feliz que não dê. Porque se pudéssemos ter uma oportunidade de voltar atrás, nunca aprenderíamos a seguir em frente, mesmo que não seja isso que queiramos fazer.

Eu não quero me lembrar de você como alguém que me fez mal, não quero que as nossas lembranças me façam mal. Só quero não pensar mais nelas, e em você. Não como uma fase da minha vida, que passou e eu superei.

Mas como se nunca tivesse havido dor.

Por Lígia Cavini


1 comentários:

Anônimo disse...

ñ sei pq eu comento se eu não sei oq falar.

gostei do texto. adoro últimos parágrafos, o seu está lindo.

bjos ;*

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