
Eles estavam sentados na calçada da pequena cidade nevoenta, esperando pelo ônibus que mudaria suas vidas para sempre. Ela ia embora. Ele não. Ela o amava incondicionalmente. Ele não. A decisão dela já estava tomada e não havia mais jeito de voltar atrás. Ele queria que houvesse. Ela não.
- Mas você prometeu – disse ele, lembrando da velha promessa de infância que fizeram, de que jamais se separariam.
- Eu sei – disse ela, sem olhá-lo nos olhos – mas você sabe que eu não posso ficar.
- Só não sei o porquê.
- Você vai saber – disse ela com os olhos já úmidos.
Eles voltaram a ficar em silêncio, aproveitando até os últimos segundos que lhe restavam.
- Promete que vai escrever pra mim? – perguntou ele suplicante.
‘’Não’’, pensou ela. Ela só estava partindo para tirá-lo de sua vida, e quando isso estivesse feito, ela poderia até voltar. E nos seus sonhos, esperava que eles pudessem até ficar juntos, talvez. Que ele viesse a amá-la com a mesma intensidade que ela o amava. Mas isso estava fora de questão. Porque ele já tinha alguém, alguém que não o amava nem um pouco, comparado ao que ela sentia.
- Vou tentar – ela respondeu simplesmente, com medo de quebrar outra promessa feita a ele.
E então, o momento chegou. De longe eles viam o ônibus chegando. Que destruiria os sonhos dela pra sempre. Ela sentiu um bolo na garganta e já não tinha controle das lágrimas. Ele a abraçou e as coisas só ficaram piores. Ela não queria soltá-lo. O seu cheiro era viciante. Ela o apertou mais forte e não encontrava forças para se desfazer de seu abraço preferido. Ele virou o rosto dela para o dele, e a olhou nos olhos, e então pôde enxergar toda a tristeza dentro dela.
Seus rostos estavam tão próximos que ambos podiam sentir a respiração um do outro. Aquilo a estava matando.
- Eu vou sentir a sua falta – sussurrou ele, para que apenas ela ouvisse. Soluços desesperados cortavam a garganta dela ao ver o ônibus cada vez mais próximo.
- Tchau, minha pequena – ele disse, beijando-lhe o rosto e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
- Tchau – respondeu com a voz rouca e fraca.
E então o ônibus chegou. Abriu as portas e a convidou para um futuro que ela não queria para si. Ela então encontrou forças que simplesmente não sabia de onde tinha tirado e o soltou. Se livrou de seus braços e seu hálito inebriante e entrou no ônibus. Ela então se virou e disse, a voz sufocada e baixa:
- Não me esqueça...
- Nunca – ele disse com os olhos marejados, - você sempre será a minha melhor amiga.
‘’Melhor amiga’’, ele dissera. Apenas isso. Aquelas palavras a atingiram como um soco. Ela arrastou a mala para dentro e se sentou, na janela.
- Adeus – sussurrou ela – eu te amo.
Ele conseguiu ler seus lábios e sentiu uma lágrima rolar enquanto via o ônibus dobrando a esquina, deixando-o sozinho na rua que pertencia a eles e então desejou que nada do que estava acontecendo fosse verdade.
Ele se lembrou dos momentos que haviam passado juntos. Lembrou do sorriso dela e do som de sua risada. De como a cor dos seus olhos ficava linda na luz do pôr-do-sol. Do seu perfume delicado e do cheiro de seus cabelos.
‘’Eu te amo’’ sussurrou ele para a rua vazia. O vento gelado soprou em seu rosto, trazendo mais lembranças dela. Ele deixou escorrer outra lágrima e ouviu a voz dela fazendo cócegas em seu ouvido, sussurrando em sua mente: tarde demais.
Por Lígia Cavini

2 comentários:
eu costumo ficar falando as partes que eu mais gosto.
gostei do texto inteiro só que eu tô em duvida se foi ruim pra um deles ou pra ambos.
bjos <:
ps. que hora linda de se postar, 11:11 -
que booooom que você gostou, fefê *-*
foi ruim pra ambos D:
UASHUAHSUIAHS
linda hora mesmo
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