quarta-feira, 17 de março de 2010




Eles estavam sentados na calçada da pequena cidade nevoenta, esperando pelo ônibus que mudaria suas vidas para sempre. Ela ia embora. Ele não. Ela o amava incondicionalmente. Ele não. A decisão dela já estava tomada e não havia mais jeito de voltar atrás. Ele queria que houvesse. Ela não.

- Mas você prometeu – disse ele, lembrando da velha promessa de infância que fizeram, de que jamais se separariam.

- Eu sei – disse ela, sem olhá-lo nos olhos – mas você sabe que eu não posso ficar.

- Só não sei o porquê.

- Você vai saber – disse ela com os olhos já úmidos.

Eles voltaram a ficar em silêncio, aproveitando até os últimos segundos que lhe restavam.

- Promete que vai escrever pra mim? – perguntou ele suplicante.

‘’Não’’, pensou ela. Ela só estava partindo para tirá-lo de sua vida, e quando isso estivesse feito, ela poderia até voltar. E nos seus sonhos, esperava que eles pudessem até ficar juntos, talvez. Que ele viesse a amá-la com a mesma intensidade que ela o amava. Mas isso estava fora de questão. Porque ele já tinha alguém, alguém que não o amava nem um pouco, comparado ao que ela sentia.

- Vou tentar – ela respondeu simplesmente, com medo de quebrar outra promessa feita a ele.

E então, o momento chegou. De longe eles viam o ônibus chegando. Que destruiria os sonhos dela pra sempre. Ela sentiu um bolo na garganta e já não tinha controle das lágrimas. Ele a abraçou e as coisas só ficaram piores. Ela não queria soltá-lo. O seu cheiro era viciante. Ela o apertou mais forte e não encontrava forças para se desfazer de seu abraço preferido. Ele virou o rosto dela para o dele, e a olhou nos olhos, e então pôde enxergar toda a tristeza dentro dela.

Seus rostos estavam tão próximos que ambos podiam sentir a respiração um do outro. Aquilo a estava matando.

- Eu vou sentir a sua falta – sussurrou ele, para que apenas ela ouvisse. Soluços desesperados cortavam a garganta dela ao ver o ônibus cada vez mais próximo.

- Tchau, minha pequena – ele disse, beijando-lhe o rosto e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

- Tchau – respondeu com a voz rouca e fraca.

E então o ônibus chegou. Abriu as portas e a convidou para um futuro que ela não queria para si. Ela então encontrou forças que simplesmente não sabia de onde tinha tirado e o soltou. Se livrou de seus braços e seu hálito inebriante e entrou no ônibus. Ela então se virou e disse, a voz sufocada e baixa:

- Não me esqueça...

- Nunca – ele disse com os olhos marejados, - você sempre será a minha melhor amiga.

‘’Melhor amiga’’, ele dissera. Apenas isso. Aquelas palavras a atingiram como um soco. Ela arrastou a mala para dentro e se sentou, na janela.

- Adeus – sussurrou ela – eu te amo.

Ele conseguiu ler seus lábios e sentiu uma lágrima rolar enquanto via o ônibus dobrando a esquina, deixando-o sozinho na rua que pertencia a eles e então desejou que nada do que estava acontecendo fosse verdade.

Ele se lembrou dos momentos que haviam passado juntos. Lembrou do sorriso dela e do som de sua risada. De como a cor dos seus olhos ficava linda na luz do pôr-do-sol. Do seu perfume delicado e do cheiro de seus cabelos.

‘’Eu te amo’’ sussurrou ele para a rua vazia. O vento gelado soprou em seu rosto, trazendo mais lembranças dela. Ele deixou escorrer outra lágrima e ouviu a voz dela fazendo cócegas em seu ouvido, sussurrando em sua mente: tarde demais.

Por Lígia Cavini

2 comentários:

Anônimo disse...

eu costumo ficar falando as partes que eu mais gosto.

gostei do texto inteiro só que eu tô em duvida se foi ruim pra um deles ou pra ambos.

bjos <:

ps. que hora linda de se postar, 11:11 -

lígia m. e má f. disse...

que booooom que você gostou, fefê *-*
foi ruim pra ambos D:
UASHUAHSUIAHS
linda hora mesmo

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