quarta-feira, 31 de março de 2010


Katie acordou como sempre: mal. Ajoelhou-se no vaso sanitário e vomitou, mesmo sem ter comido algo ruim. Mas já não era novidade, ela estava grávida. Aos 17 anos.

Como sempre, junto com seu enjôo matinal, vieram as lágrimas. As lágrimas da dor de tê-lo perdido em um acidente de carro, de ter perdido o pai do filho que ela carregava. A mãe a olhava com tristeza, sem nada dizer, apenas assistindo a vida da filha desmoronar, em silêncio. Katie culpava seu pai pela morte de Josh, apenas por que ele não apoiava o namoro dos dois.

– Não é verdade, diz que não é verdade – disse ela chorando, querendo que Josh ainda estivesse vivo, com ela, e pra sempre. – Você! – ela avançou na direção de seu pai, estapeando-o furiosamente.

– Diga, diga que você o odeia! Diga! – ela gritava para ele, enquanto ele apenas tentava acalmá-la. A mãe a ajudou a se acalmar, como sempre tinha de fazer.

Katie enxugou as lágrimas, escovou os dentes e foi se trocar, como sempre fazia, fingindo ser forte, depois de um ataque de histeria. Colocou a roupa de sempre pra ir pra escola, na pequena cidade do interior onde eles moravam. Na classe, todos olhavam para ela, sabiam o que havia acontecido. As pessoas olhavam ora curiosas, ora com pena. E Katie odiava isso. Ela escondia o rosto atrás do cabelo pra evitar olhares, o que não adiantava. Ela se sentou na sua carteira de sempre e olhou automaticamente para a carteira vazia ao lado, onde ele deveria estar. As pessoas continuavam encarando-a e quando o professor passou a fazê-lo também, foi o que bastou pra ela. Katie se levantou impaciente e correu pra fora da escola. Ela andava chorando por todo o caminho, cobrindo o rosto com as mãos, embora não adiantasse.

Faziam 2 semanas desde que ela o perdera, e é claro que ela não havia superado. Katie correu pra casa, e se trancou em seu quarto. A mãe nem questionou, aquilo já tinha se tornado comum desde que Josh morreu.

No quarto, ela se lembrava do último passeio que deram juntos.

‘’Eles já sabiam sobre sua gravidez, e iam ter o filho com alegria. Tudo estava bem. Eles estavam sentados no banco da caminhonete de Josh, abraçados e perdidamente apaixonados.

– Qual é o problema? – perguntou ele, percebendo certa tensão em Katie – É o seu pai?

Ela apenas balançou a cabeça negativamente.

– Você às vezes pensa no futuro? – ela perguntou encarando-o suavemente. – O que você vê?

– O que você vê? – ele respondeu em tom de brincadeira.

– Estou falando sério, Josh.

Ele olhou pra frente, e pensou um pouco, então olhou-a nos olhos e disse:

- Você. Eu vejo você.

Eles sorriram e se beijaram de novo, um beijo de despedida. Katie abriu a porta da caminhonete, rindo.

– O que você vê? – perguntou Josh, rindo também.

Ela não respondeu, apenas fechou a porta e saiu rindo do carro. Ele saiu também, e eles ficaram abraçados, em frente a casa dela.

– Tchau – disse Josh, beijando-lhe a testa. – Vejo você amanhã.

– Tudo bem, a gente se vê.

– Eu te amo

– Também te amo.

E então ele partiu. Para sempre.’’

Katie ‘’acordou’’, e então sentiu o impulso de ir com ele, ir atrás dele. Fazer tudo que ela não havia feito naquele dia. Ela se levantou da cama e correu pela casa. A mãe dela estava confusa, mas a deixou ir. Não podia impedi-la.

Katie correu pela estrada onde ele passara pela ultima vez com a caminhonete, a estrada que o matou. Ela correu, chorando, até a cruz que indicava o lugar onde o acidente havia acontecido.

Ela se ajoelhou, e então sussurrou:

– Você. Eu vejo você.


Por Lígia Cavini

quarta-feira, 24 de março de 2010

Agora eu sei que é você que eu sempre quis ♥

sábado, 20 de março de 2010


O que mais me dói é ter achado normal, comum, enquanto existiu. O que mais me dói é esse arrependimento por não ter feito nada direito e agora querer voltar atrás.
Afinal, perdão você não pediu.

MF.

quinta-feira, 18 de março de 2010

And at last all the pictures have been burned, all the past.


Eu queria que tudo voltasse a ser como era antes. Eu queria que ficar com você fosse uma rotina, algo sem planejamento, mas, no entanto, algo certo, algo bom. Eu queria que você me fizesse feliz sem perceber, mas, principalmente, eu queria que quando eu estivesse sem você, eu não me lembrasse dessa felicidade tão fraca, tão forte. Tão boa, tão ruim. Tão certa, tão errada. Tão sonhada... Eu queria que eu pudesse ter vivido aqueles dias pra sempre, eu nunca me cansaria deles, da sua essência. Eu queria que seu perfume na minha blusa fosse algo comum, que fosse algo tão parte de mim que não haveria como separar do que eu sou. Eu queria que toda a expectativa com um toque de telefone se realizasse, que fosse a sua voz do outro lado. Eu queria que você fosse a primeira pessoa a sorrir por me fazer rir, eu queria que você morresse ao me ver chorar, eu queria que a minha dor fosse a sua dor, e que a minha felicidade te deixasse dez vezes mais feliz. Eu queria todo o tempo em que eu estivesse sozinha eu, ao mesmo tempo, não estivesse, pois você estaria comigo, dentro de mim. Eu queria poder estar dentro de você. Eu queria ser a primeira pessoa que viria a sua mente quando você precisasse de algo, de qualquer coisa. Eu queria que você visse o quanto eu seria melhor só de apoiar os seus sonhos, de saber que minha opinião te importa. Eu queria que nós fossemos tão parte um do outro que imaginar uma vaga hipótese do contrário seria absurdo. Eu queria que suas mãos já tivessem as formas dos meus dedos, eu queria que seu cabelo estivesse perfeitamente despenteado de uma forma natural com meu cafuné. Eu queria que seu quarto tivesse marcas minhas- Uma foto, um agasalho esquecido, um pedaço de perfume pairando no ar. Eu queria que meu abraço te fizesse uma falta gigantesca, dolorosa, que sem ele fosse quisesse desaparecer, parar de viver. Eu queria que você soubesse dos meus traços com uma precisão impossível, eu queria que você ouvisse músicas pensando em mim, eu queria que todas as nossas risadas valessem uma eternidade, que nossas tardes fossem suas melhoras tardes, que nossas lembranças fossem seus melhores momentos, eu queria que todo o tempo, casa segundo, cada milésimo que passamos juntos (tanto em presença como em pensamento) estivesse marcado em sua mente como se fosse um pedaço do seu corpo, um braço, uma perna. Algo indispensável. Talvez um coração. Sem ele simplesmente não haveria vida.

Eu queria que quando você acordasse de manhã e sentisse o vento açoitar sua face, que você se lembrasse do vento açoitando a minha face. Eu queria que num momento de dor imensa, que você se lembrasse de mim, e em como eu estou em você para toda a eternidade, e que a dor fosse embora, como o ar levando uma folha. Eu queria que se alguém me ofendesse, pela menor maneira que fosse, que você se sentisse ofendido, que quisesse acabar com a raça do ofensor, apenas por prazer. Eu queria que você sentisse ciúmes de mim, que fizesse beicinho se um amigo me ligasse, que fosse protetor, que fosse meu Sol. Particular. E que pra você eu fosse as estrelas, eu fosse o sonho, eu fosse a razão, eu fosse a realidade.

Eu queria que você chorasse escondido por mim, que escrevesse meu nome no rodapé de uma parede, que sonhasse comigo, que vivesse comigo. Eu queria que pudéssemos ser algo. Algo forte, algo imenso, algo indestrutível. Simplesmente, essencialmente.

Eu queria que você soubesse tudo sobre mim, todos os meus sonhos, meus desejos, meu medo, minhas saudades, meu tudo. Eu queria que você sentisse saudade de mim mesmo enquanto estivéssemos um do lado do outro, uma saudade antecipada, só de imaginar como você estaria quando eu não estivesse ali.

Eu queria que eu fosse pra você exatamente o que você é para mim. Nem mais, nem menos. Isso tudo.



MF.


quarta-feira, 17 de março de 2010





Créditos ao fefê :D



Rascal Flats - What hurts the most
Eu posso suportar a chuva no teto dessa casa vazia,
isso não me incomoda
Eu posso suportar algumas lágrimas de vez em quando
e apenas deixá-las rolar

Eu não tenho medo de chorar
De vez em quando,
apesar de que continuar sem você me chateia

Há alguns dias

Que eu finjo estar bem, mas não é isso que me intriga

O que mais machuca foi estar tão perto

E ter tanto pra dizer

E ver você partir

E nunca saber o que poderíamos ter sido

E não ver que amar você

Era o que eu estava tentando fazer

É difícil de lidar com a dor de ter perdido você
em todos os lugares que vou

Mas estou persistindo

É difícil forçar aquele sorriso quando vejo nossos velhos amigos.
E eu estou sozinho

Ainda mais difícil levantar-se, vestir-se,
viver com esse arrependimento

Mas eu sei que se pudesse refazer

Eu trocaria, daria todas as palavras que guardei
em meu coraçao não-ditas

O que mais machuca foi estar tão perto

E ter tanto pra dizer

E ver você partir

E nunca saber o que poderíamos ter sido

E não ver que amar você

Era o que eu estava tentando fazer






Eles estavam sentados na calçada da pequena cidade nevoenta, esperando pelo ônibus que mudaria suas vidas para sempre. Ela ia embora. Ele não. Ela o amava incondicionalmente. Ele não. A decisão dela já estava tomada e não havia mais jeito de voltar atrás. Ele queria que houvesse. Ela não.

- Mas você prometeu – disse ele, lembrando da velha promessa de infância que fizeram, de que jamais se separariam.

- Eu sei – disse ela, sem olhá-lo nos olhos – mas você sabe que eu não posso ficar.

- Só não sei o porquê.

- Você vai saber – disse ela com os olhos já úmidos.

Eles voltaram a ficar em silêncio, aproveitando até os últimos segundos que lhe restavam.

- Promete que vai escrever pra mim? – perguntou ele suplicante.

‘’Não’’, pensou ela. Ela só estava partindo para tirá-lo de sua vida, e quando isso estivesse feito, ela poderia até voltar. E nos seus sonhos, esperava que eles pudessem até ficar juntos, talvez. Que ele viesse a amá-la com a mesma intensidade que ela o amava. Mas isso estava fora de questão. Porque ele já tinha alguém, alguém que não o amava nem um pouco, comparado ao que ela sentia.

- Vou tentar – ela respondeu simplesmente, com medo de quebrar outra promessa feita a ele.

E então, o momento chegou. De longe eles viam o ônibus chegando. Que destruiria os sonhos dela pra sempre. Ela sentiu um bolo na garganta e já não tinha controle das lágrimas. Ele a abraçou e as coisas só ficaram piores. Ela não queria soltá-lo. O seu cheiro era viciante. Ela o apertou mais forte e não encontrava forças para se desfazer de seu abraço preferido. Ele virou o rosto dela para o dele, e a olhou nos olhos, e então pôde enxergar toda a tristeza dentro dela.

Seus rostos estavam tão próximos que ambos podiam sentir a respiração um do outro. Aquilo a estava matando.

- Eu vou sentir a sua falta – sussurrou ele, para que apenas ela ouvisse. Soluços desesperados cortavam a garganta dela ao ver o ônibus cada vez mais próximo.

- Tchau, minha pequena – ele disse, beijando-lhe o rosto e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

- Tchau – respondeu com a voz rouca e fraca.

E então o ônibus chegou. Abriu as portas e a convidou para um futuro que ela não queria para si. Ela então encontrou forças que simplesmente não sabia de onde tinha tirado e o soltou. Se livrou de seus braços e seu hálito inebriante e entrou no ônibus. Ela então se virou e disse, a voz sufocada e baixa:

- Não me esqueça...

- Nunca – ele disse com os olhos marejados, - você sempre será a minha melhor amiga.

‘’Melhor amiga’’, ele dissera. Apenas isso. Aquelas palavras a atingiram como um soco. Ela arrastou a mala para dentro e se sentou, na janela.

- Adeus – sussurrou ela – eu te amo.

Ele conseguiu ler seus lábios e sentiu uma lágrima rolar enquanto via o ônibus dobrando a esquina, deixando-o sozinho na rua que pertencia a eles e então desejou que nada do que estava acontecendo fosse verdade.

Ele se lembrou dos momentos que haviam passado juntos. Lembrou do sorriso dela e do som de sua risada. De como a cor dos seus olhos ficava linda na luz do pôr-do-sol. Do seu perfume delicado e do cheiro de seus cabelos.

‘’Eu te amo’’ sussurrou ele para a rua vazia. O vento gelado soprou em seu rosto, trazendo mais lembranças dela. Ele deixou escorrer outra lágrima e ouviu a voz dela fazendo cócegas em seu ouvido, sussurrando em sua mente: tarde demais.

Por Lígia Cavini

terça-feira, 16 de março de 2010


Eu ainda me lembro de quando nos conhecemos,

Do nosso primeiro abraço

Da primeira vez que nos beijamos

Da primeira vez que você disse que me amava

Da primeira vez que eu soube que é impossível viver sem você.

Por Lígia Cavini

Eu só queria te esquecer, mas quanto mais eu tento, mais eu lembro: não sei viver sem ter você
Por Lígia Cavini

domingo, 14 de março de 2010

Green Day- 21 Guns.


Você sabe pelo que vale a pena lutar quando não vale à pena morrer? Isso te deixa sem ar? E você se sente sufocando?A dor supera o orgulho?E você procura por um lugar para se esconder?Alguém partiu seu coração por dentro?Você está em ruínas.
Um, 21 armas. Abaixe suas armas, desista da luta. Um, 21 armas. Levante os seus braços para o céu, você e eu.
Quando você está no fim do caminho e você perdeu todo o senso do controle, e seus pensamentos aceitaram seus pedágios, quando sua mente quebra o espírito de sua alma, sua fé caminha sobre cacos de vidro, e a ressaca não passa... Nada foi feito para durar.
Você está em ruínas.
Um, 21 armas. Abaixe suas armas, desista da luta. Um, 21 armas. Levante os seus braços para o céu, você e eu.
Você já tentou viver por conta própria? Quando você incendiou casa e o lar?
Você ficou próximo demais do fogo?

Como um mentiroso buscando o perdão de uma pedra.
Quando é tempo para viver e deixar morrer, e você não consegue tentar de novo. Algo dentro desse coração morreu. Você está em ruínas.
Um, 21 armas. Abaixe suas armas, desista da luta. Um, 21 armas.Levante os seus braços para o céu.
Um, 21 armas. Abaixe suas armas, desista da luta. Um, 21 armas.Levante os seus braços para o céu, você e eu.


MF.


E talvez um final feliz não precise de um garoto, talvez... seja só você, apenas você, recolhendo seus pedaços e começando tudo de novo.

Por Lígia Cavini


sábado, 13 de março de 2010

Lies, lies, lies...

Você, só você


Texto um pouco antigo que eu fiz pra uma pessoa... especial. E eu espero que ela lembre, se ver.

Eu estou pensando em você, e em como você me faz bem. É como se só você soubesse como me fazer feliz... eu amo seu jeito de gostar de mim, amo quando você me faz sorrir com suas brincadeiras e palhaçadas. Quando você me olha no fundo dos meus olhos, meu mundo gira num segundo e eu me afogo na imensidão do seu olhar, como o mar, como o céu - lindo e infinito. E quando você me beija, tudo parece parar, tudo pode esperar. O seu sorriso me prende, me fascina. Quando você me abraça eu me sinto tão segura, eu tenho tanta certeza que estou sonhando, eu torço pra não acordar. Você faz com que eu me lembre de você cada vez que meu coração bate. E são as iniciais do seu nome que eu escrevo no meu pulso ou rabisco no meu caderno, sempre com um coração vermelho ao lado... e um dia, olhando pra o céu, eu escolhi as nossas estrelas... e eu me prometi que o brilho delas nunca iria apagar. É por você que eu fecho os meus olhos, quando ouço uma música especial. Porque o simples fato de você existir já me deixa feliz, aliviada, como se eu precisasse que seus pulmões respirassem pra continuar viva, como se você estar vivo deixasse tudo... colorido.

E até hoje, eu me pergunto porque você, só você, me faz com que eu me sinta assim. Não sei a resposta, mas de uma coisa eu tenho certeza... você, só você, faz com que eu me sinta assim... apaixonada. E é você, só você, quem eu amo.

Por Lígia Cavini

ABBA - THE WINNER TAKES IT ALL


Eu não quero conversar
Sobre as coisas que passamos
Apesar de estar me machucando
Agora já é passado
Joguei todas as minhas cartas e você também o fez
Não há mais nada à ser dito
Nenhum ás a jogar

O Vencedor leva tudo
O Perdedor fica pequeno
Ao lado da vitória
Esse é o seu destino

Eu estava em seus braços
Pensando que ali fosse o meu lugar
Achei que fazia sentido
Construindo em volta uma cerca
Construindo pra mim um lar
Pensando que eu seria forte alí
Mas eu fui uma tola
Jogando conforme as regras

Os deuses podem jogar um dado
Suas mentes são frias como o gelo
E alguém aqui em baixo
Perde alguém querido
O Vencedor leva tudo
O Perdedor tem que cair
É simples e direto
Porque eu deveria reclamar?

Mas me diga se
ela te beija
Como eu costumava te beijar?
Você sente o mesmo quando
ela chama o seu nome?
Dentro de você, lá no fundo
Você deve saber que
eu sinto sua falta
Mas o que eu posso dizer
Regras devem ser obedecidas

Os juízes irão decidir
Se eu devo persistir
Os espectadores do show
Sempre ficam na sua
O jogo começa novamente
Um amante ou um amigo
Uma coisa grande ou pequena
O Vencedor leva tudo

Eu não quero conversar
Se isso te deixa triste
E eu entendo
Voce veio apenas apertar minha mão
Eu peço desculpas
Se isso te faz mal
Me ver assim tão tensa
Sem auto-confiança
Mas você sabe que...
O Vencedor leva tudo

Por Lígia Cavini

sexta-feira, 12 de março de 2010

Às vezes você se pergunta o porquê de as coisas darem tão erradas na sua vida. Porque aquilo que você tanto planejou, e esperou, às vezes saiu completamente do planejado. Isso se chama acaso. E não é justo. Você se esforça pra que tudo dê certo, e fique bem, e às vezes todo o seu suor, e o tempo perdido pode não ser o suficiente pro destino. E quando isso acontece, você desiste. Mas não por ser fraco, ou ter medo de sofrer. Mas por não ter mais condições de sofrer. Você quer sempre parecer forte, e coloca a máscara tão familiar do sorriso, do ‘’eu estou seguindo a minha vida’’, enquanto por dentro só o que te resta são lágrimas e a dor do fracasso.

E as pessoas não te entendem. A única pessoa que você precisa que te ame naquele momento, às vezes não se importa e se afasta de você por puro egoísmo. E quanto mais você precisa dela, mais distante ela está. Você chora por ela, e ela simplesmente não liga o mínimo pra sua dor. Você sabe que precisa de um apoio, ou vai cair. Você vai ficando mais fraco à medida que as coisas vão saindo do seu alcance. Você pode esticar o braço, mas se não houver ninguém pra te segurar, você vai continuar no poço sem fim, e o nome dele é solidão.

Talvez um dia você perceba que as coisas só estão assim por causa de uma atitude sua, e então você vai sentir o arrependimento como um tapa na cara, dado por você mesmo. E quando isso acontecer, você vai querer voltar no tempo e fazer o impossível. E não vai conseguir. E então você vai sentir o ardor das lágrimas, aquelas que você sempre temeu. E seus olhos inchados nunca vão mentir para o mundo, Quando não houver mais nada pra fazer, nenhuma palavra a ser dita, você vai saber o que é desespero. Vai viver apenas das lembranças do tempo que você chamava de felicidade.

E se tudo isso acabar, e você estiver de pé, com um sorriso verdadeiro no rosto, você vai enfim conhecer o doce gosto da vitória.

Por: Lígia Cavini

quinta-feira, 11 de março de 2010

Esperança.

Sabe, até que ponto as coisas deixam de ser uma simples preocupação, uma neura passageira, um mau dia, para chegar ao ápice de você acabar achando que talvez tudo não esteja tão certo assim? Começo a acreditar que tem algo errado com tudo isso. É normal você correr aflito pelas ruas, deixando as poças da chuva encharcaram cada pedacinho do seu ser, sem saber pelo que está procurando? É normal sentir o tempo todo, a cada segundo, a cada memória que vem a sua mente, a cada saudade que te percorre, como se hoje fosse o último dia da sua vida? É normal que essa sensação faça você querer viver mais, mas não pela simples vontade de viver, e sim para esquecer o que foi deixado para trás? É normal você se sentir tão só mesmo rodeado de tantas pessoas? É normal você rir, cantar, dançar, conversar, viver, e, mesmo assim, tem uma certeza mais do que absoluta que não passa de um cadáver preso em uma rotina sufocante, em que nada parecer estar em seu devido lugar, em que você pensa que o único jeito de se livrar da dor, da dor de uma simples existência, seja abandonar tudo? Não só abandonar as lágrimas, o sofrimento, a dor, a angústia, a solidão, as memórias, as saudades, mas também abandonar os risos, os abraços, os sorrisos, as boas lembranças, os segundos, milésimos, em que você pensou ser a pessoa mais feliz, mais completa que já pisou no universo? Pergunto-me se valeria à pena jogar fora o tudo, o meu tudo, para que a dor desapareça como um sorriso antes do anúncio da morte de alguém. Aliás, não me pergunto, contesto. Não haveria uma forma de dividir essas duas partes do meu ser, dividir o que fica e o que vai, sem ser um pacote fechado, sem opção de mudança? Não. Não haveria. Mas por quê? Por que tudo é tão injusto? Por que não posso lançar toda dor ao vento e esperar que ela desapareça, que tudo de ruim e doloroso que ocupa minha mente seja oculto em um canto escuro e sombrio, sem vida, onde ninguém possa sentir o mesmo que eu... Não, eu jamais desejaria o mesmo que se passa em mim para alguém. Nem mesmo para o mais perverso dos demônios, a mais falsa das almas, o mais mentiroso dos corações. É por isso que preciso erradicar toda a impureza que me percorre de ponta a ponta. Tenho medo. Medo de compartilhar isso com alguém e proporcionar, nem que seja uma partícula do sofrimento, para quem quer que seja. Melhor acabar com isso logo. Sem despedidas, abraços calorosos, bilhetes de adeus.

Para falar bem a verdade, a única coisa que ainda me prende aqui é a dúvida. É a incerteza sobre o destino que a parte boa do meu ser tomaria. Quer dizer, se eu me abandonasse quem haveria de se lembrar dos meus gostos, do meu sorriso, minhas manias, meu olhar, minha risada, meus momentos? Quem haveria de dizer palavras carinhosas para aqueles que amo? Quem haveria de dizer a certas pessoas o quão importante elas são, o quão forte é a gratidão que sinto por elas? Quem haveria de tentar consertar meus erros, de tentar continuar a vida por mim? Não. Simplesmente, não haveria. E nesse momento, enquanto escrevo isso e ouço os pingos da chuva açoitarem a janela e o vento passar por entre as frestas da porta, é que me dou conta de que é isso, é isso tudo que ainda me prende aqui. Absolutamente, as lembranças. São as lembranças que me movem. As lembranças, e, é claro, a esperança de poder vivê-las de novo.


MF.

São lembranças que o tempo não pode mudar...

Sobre nós dois

Sabe, hoje eu parei pra pensar em você. Não é bom pra mim, é claro que não. Mas é tudo que eu sei fazer. Pensei nas coisas que você me dizia, em como as suas palavras me faziam bem. No seu sorriso. Pensei em todas as vezes que você segurava a minha mão e eu me sentia a pessoa mais segura do mundo. Pensei nos seus beijos e na nossa sintonia perfeita. Me lembrei do seu abraço forte, e do calor que isso transmitia. Na sua voz dizendo que me amava, no brilho dos seus olhos quando eu dizia o mesmo.

E quanto mais eu me lembrava, pior eu me sentia. Porque agora as suas palavras não são mais minhas, e só me machucam. O seu sorriso não é mais meu. Não é a minha mão que você segura agora, e faz tudo ficar bem. Nossos beijos já foram esquecidos por você e os seus abraços não me apertam mais. Não é a mim que você declara seu amor, e não é pra mim que você olha enquanto seus olhos brilham.

E mesmo que nós dois encontramos outra pessoa, nunca será igual. Eu e você, apenas. Não nós. Não mais.

Por Lígia Cavini