terça-feira, 8 de junho de 2010

Dor é tudo que você é. É a felicidade metamorfoseada, é o sorriso oculto, o despertar que aconteceu antes da hora, ou tarde demais. Dor é aquilo que você lembra, é sua infância, a nostalgia que sufoca, a saudade que prende, dor é a perda irrecuperável e inesquecível, é a solidão que transborda, é os pedaços de si mesmo que você teve que juntar e colar de novo, dor é a imensidão do vácuo, a voz do silêncio que machuca mais do que mil gritos escancarados, dor é senbilidade que aparece desiludida, é o que apenas você sabe. É o buraco que ficou naquelas fotos antigas, é os rabiscos na parede, o tombo que deixou cicatrizes, a realização de um desejo que acabou tendo sabor amargo, é a indiferença. Dor, é mais do que é possível traduzir, mais do que os outros podem ver, ou as pessoas podem entender. Dor é tão fácil de se esconder, tão fácil de se sentir, tão difícil de afastar. Dor é você só, é o momento em que a máscara já está caída no chão, é os sonhos despedaçados, é a completa ausência de esperança, é o resultado da falta de fé. Dor é você longe das aparências, na sua camada mais funda, onde é impossível tocar a superfície e a hipocrisia tão falsa e impotente que nela está marcada.

MF.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fuck you, darling.



Ah, você está fingindo? Tudo bem querida(o), eu estava o tempo todo, bem antes de você :)

Ah, e também não se esqueça que quanto maior o salto, maior a queda Ý. Basicamente. Eu só vou sentar aqui e deliciar-me com a sua queda, lenta e dolorosa. Assim como você fez com a minha, mas por trás das paredes. Finalmente, viu o que nos diferencia? Eu não preciso me esconder pra viver, ao contrário de você, se é que viver numa mentira pode ser considerado vida, mas tudo bem, deixa que eu relevo; no final quem vai bater com a cara no chão vai ser você, que manipolou tantas pessoas achando que elas não tinham cérebro: Só se esqueceu que elas também tem coração, e num mundo como esse a sede de vingaça, infelizmente, é maior que a sede de compaixão.


MF.

i_i


Saudade é o mais forte sentimento de todos, mais do que ódio, o amor, ou até mesmo a indiferença. Porque se você odeia, é porque você já amou, e, se você está indiferente, então já passou pelas duas coisas. Mas pra ter saudade você não precisa de amor, nem de ódio, nem de indiferença.
Você só precisa de alma.


MF.

domingo, 30 de maio de 2010

Suicídio


Subi as escadas correndo, tropeçando nos degrais, que eram compridos demais para meus passos demasiadamente curtos. Cambaleei pelo corredor, quicando nas paredes como se alguém me puxasse com uma corda, e depois soltasse.
Um, dois.
Puxa, solta.
Ardia por mim inteira.
Abri a porta, e meus olhos levaram umas fração de segundos para se acustumar com o ambiente de luz forte. A mente vagava por entre os móveis e os objetos que abrigavam, num rompante, a aflição amargando minha boca.
Deja vu. Aquilo tinha sido meu. As roupas, quantas vezes as tinha vestido? As folhas, quantas letras nelas havia escrito? E as paredes, quanta dor haviam prendido? E o travesseiro, quanto sal já tinha absorvido?
E eu. Quanto tempo ali havia perdido.
Por fim, a dor que pulava de um lado para o outro, borbulhando, estabilizou-se. A bolinha de gude não batia no assoalho, ela estava apenas esquecida num canto qualquer. Meus joelhos cederam, e o fel se repartiu por todo o corpo, até formarem pedaços iguais de um todo-referência.
As mãos procuravam, incessantemente, um ombro a que se apoiarem. E deixei que o anel pendesse e caísse, levantando fagulhas de poeira ao passar pelo ar.
Estava frio. Pela janela era possível observar milhões de luzes. Movimento. Barulho. Vida.
Anestesiou um pouco cogitar que talvez, se algum Deus ainda pudesse ter sido criado, houvesse esperança em algum lugar quente.
Ventava muito. E estava escuro, tão escuro. A luz forte da lâmpada já não tinha efeito nas trevas. Deixei que as sombras transbordassempara fora de mim, e, fortes, quebrassem as paredes.
A escuridão envolvia uma pequena navalha. Na luz, era apenas um objeto que outrora servira para construir círculos num papel. Ali, no escuro gigante e implacável, era um amigo que me estendia a mão.
"Venha", dizia ele. " Vou te levar para longe. Lá é quente e bom, e nunca chove. Sabe as lembranças? Você poderia morar nelas para sempre. Os dias nunca acabariam. Não existe noite lá. Basta apertar minha mão".
Enquanto o amigo se aproximava do meu pulso, observei as marcas de dores menores, que haviam ali sido gravadas. Cicatrizes absurdas.
Ouvi o doce som que a música do outro lado tinha, e as lembranças. Aqueles que amava rodopiavam em minha mente, felizes. "Estou indo!", gritei, exasperada. "Vamos ficar juntos para sempre e sempre e sempre e sempre."
O perfume da morte, agourento e frio, fez com que eu me lembrasse de tudo. E enquanto assistia as memórias se embaçarem, o sangue que pingava no tapete ganhava foco.

Eu tinha, afinal, apertado as mãos de meu amigo.

MF.

sexta-feira, 28 de maio de 2010



Enquanto existe, é bom. Enquanto é forte. Enquanto é sol.
Enquanto chove, parece apodrecer.
Um pouquinho de água faz enferrujar.

Eu só queria um abraço, pra me confortar, e dizer que as coisas vão mudar, mudar pra melhor, e que tudo vai terminar bem. Terminar. Porque eu não quero ter que começar tudo de novo. A dor é pior na segunda queda?
Ou seria o medo de cair que faz com que doa mais? Ou mesmo que seja problema seu, e de mais ninguém, que uma ferida arda depois do que pareceria um tempo adequado?
Pra falar bem a verdade, se não fosse uma porcaria chamada esperança, tudo estaria terminado tão rapidamente que nem haveria tempo para sentir dor. Afinal, a dor só vem quando você toma consciência.
E eu não acabaria comigo conscientemente.

MF.

sábado, 22 de maio de 2010


Não consigo dizer se é bom ou mau,
assim como o ar me parece vital.
Onde quer que eu vá, o que quer que eu faça
Sem você, não tem graça.














MF.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Inconstante.


Segredos nunca morrem, apenas adormecem.
Cuidado pra não gritar com a pessoa errada, segredos tem sono leve.


MF.